domingo, 11 de março de 2012

Poesia


gosto de te completar para me sentir completa
explicitar os implícitos
ler o que não foi escrito
espiar as linhas só para identificar as entrelinhas
enxergar  no escuro para te decifrar
porque quanto mais busco, mais você dá
e nesse cobre descobre, percorro seus mistérios
esse é o meu passatempo favorito
se for preciso lanço mão de uma lupa
para obter uma pista e te descobrir
enxergando o que só o coração vê
palavra e sentido
poesia e sentimento
inseparáveis 
quero o confronto
quero ler


domingo, 4 de março de 2012

Um navio

                                                                            
     Sentada, na areia da praia, com minha filha, olhávamos para horizonte onde avistamos um navio. Minha filha logo perguntou:

     _ Mamãe, o navio anda para muito longe? – Perguntou assim, com seu jeito de criança. Ao que eu respondi prontamente:

     _ Há navios que fazem percursos maiores outros menores, mas no geral, percorrem grandes distâncias.

     _ Mãe, eles andam muito rápido ou devagar?

     _ Andam calma e lentamente, seguindo o percurso que têm a cumprir. Olhei para seu rostinho, e ela, para surpresa minha, fez uma comparação que eu não poderia imaginar. Ela, com seus nove anos.

      _ Ah, então, é igual a vida da gente. Os anos passam devagar, eu queria ter logo quinze anos.

       Anseios da idade, da vida. Falávamos de dois navios distintos. O que olhávamos, e naquela hora estava parado, e o outro, ofertado por Deus a nós para que executássemos nossas pequeninas, mas não menos importantes tarefas, nossa vida.

       _ Nossa! Esse navio pega muita chuva e sol, como aguenta?

      _ É, respondi meio triste, mas ele suporta, foi feito para isso.

      Continuávamos observando o navio, assim paradas. Devaneei, tem sido assim, geadas, ventos, chuvas muito fortes vêm sem que eu espere. Sinto-me fraca, penso que não vou suportar, mas no fim, suporto.  Ah, às vezes vem o sol para iluminar e o navio se faz forte.

       _ Mas ele para em algum lugar? Continuou ela.

       _ Para em vários lugares.

       _ Então, olha aí, parece que eu parei nos nove anos!

       _ Calma, não tenha pressa de envelhecer. É tão bom ser criança! Além do mais, daqui a um mês você completará dez anos.

       Parece que ela ficou feliz, satisfeita com o que lhe disse e resolveu sair. E eu fiquei com os meus pensamentos. Concluí que na vida fazemos paradas em estações tão diversas, podendo encontrar, pela frente, o inesperado. Em determinados momentos, os amigos e até os familiares, podem abandonar o navio e ele ter que seguir seu curso sozinho.

       Mas, então, lembrei-me de que Deus, criador e pai, estará sempre comigo. É importante que eu me fortaleça na fé e acredite que mais a frente haverá terra firme onde o meu coração poderá, enfim, repousar das dores da jornada.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012


O céu de um azul tão lindo parece sorrir
Como pode o estado íntimo mudar o olhar?
Será que é porque, enfim, tirei aquelas correntes?
Não mais nuvens pesadas, nem céu cinza.
Só o coração leve.
Sinto agora o vento balançar os meus cabelos,
Convida-me a sorrir e eu entrego-me.
E pensar que o céu, o sol, o vento sempre se derramaram.
Navego, então, nesse oceano de sensações,
Respiro compassadamente e sinto esse momento.
Permito-me ficar, silenciosamente.
Hoje a felicidade resolveu permanecer.
Por quanto tempo? Não sei, não importa.
O hoje é o meu instante.   


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Tempo


Todos os dias coisas escorregam das mãos
Como água que desce pelo ralo
Como folha que cai com o outono em vento


O tempo atravessa a noite
E pela manhã não me reconheço no espelho
Quem é aquela que me espia?
Já não caibo nos meus sapatos e roupas
Não uso mais aquelas tranças


Tenho que me acostumar com essas marcas em meu rosto
E pisar esse chão que não secou
Hoje percebo que crescer exige esse esforço de vida
Esforço que farei
Vida que tecerei
Colcha que me cobrirei
Hoje o vento está zunindo, zunindo...

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012


O que me aconteceu?
A poesia me inundou e me envolveu.
Parece que estou louca, acordo às três da manhã e vou para os meus pensamentos
Pesada, só me alivio quando descarto os sentimentos.
O que é isso? Essa sou eu? Não me reconheço.
Estou mais intensa,  e com uma imensa vontade de não mais parar...
Quisera fugir? Nas palavras?
Ou a imensidão da vida me agarra, tira-me do simples e põe-me na algazarra das idéias, dos sentimentos?
Agora tenho que escrever, já não me pertenço. Sou tua, poesia, pode chegar mais, pode me conter!


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Pequenos gestos



Se você me convida para jantar sem ter nenhum motivo
Se me acorda com um beijo
E de repente segura a minha mão daquele jeito
Se me espera ansioso, sem culpa nem castigo.

Se não tem pressa de ir embora
Se ao se sentar à mesa do café, me olha nos olhos
E me traz um presente simples, e embala meus sonhos
São motivos para que, suspensa, eu perca a noção da hora. 

Sinto a mesma vontade de você, como na primeira vez em que nos vimos
Nada mudou, continuo querendo acordar e me envolver nos seus instintos
Viajar juntos, gostar das mesmas coisas, assistir a um filme e rir das piadas bobas
E descobrir que a vida, embora não seja tão simples, é para ser vivida, é estar absorta.

Nos pensamentos
Nas palavras
Na fantasia
Na vida
No ser.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Refazer

Aquela dor passou, como um trem que segue seu destino.
Estou pronta para levantar e recomeçar.
Tecerei uma colcha bem bonita, unirei os pontos, forrarei os vãos do caminho.
Não, não vou me acovardar. Vou em frente
Sei que em nenhum lugar da estrada estarei sozinha.
Eu ainda me pergunto em que ponto nos perdemos.
Tracei linhas, desenhei curvas, usei as tintas da harmonia. 
Mas a estrada nos mostrou caminhos diferentes.
E agora não prosseguimos mais juntos.